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Os Talibês

O islamismo entrou no continente africano por volta dos séculos VII e VII. A partir do século X os muçulmanos começam a disseminar a religião por todo o continente, dando início às escolas corânicas ou centros de ensino religioso, no qual as crianças aprendiam o Alcorão em árabe pelo método de memorização.

Dirigidas pelos Marabous, líderes religiosos do Islã, as escolas corânicas foram por muitos anos o principal meio de educação de muitos países do oeste africano. Os estudantes, chamados “talibês”, viviam em suas casas e frequentavam as escolas da própria aldeia. Muitas crianças, em sua totalidade meninos, eram entregues pelos pais à tutoria dos marabous de outras aldeias, para que também frequentassem as escolas corânicas.

Devido à insuficiência da agricultura no oeste africano e a situação de pobreza das famílias dos talibês, durante a estação de chuvas, além do ensino religioso, as crianças trabalhavam no campo, cultivando alimentos para sustentar a escola durante uma parte do ano.

Após a dominação de alguns países africanos pela França, no século XIX, as escolas corânicas foram limitadas pelas autoridades, a fim de instituir o domínio pela língua, substituindo o árabe pelo francês, e de disseminar a cultura francesa.

Várias imposições foram feitas às instituições, a fim de bani-las. Porém, a população viu essas exigências como uma tentativa de interferência em seus assuntos religiosos e, descumprindo as determinações das autoridades francesas, as escolas corânicas continuaram a funcionar, mesmo sem autorização.

Sem nenhum tipo de subsídio, as escolas foram, pouco a pouco, se deslocando para os grandes centros. A grave situação econômica do país, aliado ao clima seco da região e a insuficiência da agricultura, obrigaram os marabous a forçar as crianças a mendigar nas ruas, em busca do próprio sustento e do subsídio para a escola, junto à comunidade local.

Com o fim da dominação francesa, os países ficaram devastados economicamente e a situação dos talibês piorou. Valendo-se de um dos pilares da religião islâmica, que é a doação de esmolas, os lideres religiosos começaram a orientar a população a realizar tal ação em favor dos talibês, com isso as crianças começaram a ser obrigadas a levar dinheiro aos seus tutores, que usavam severas práticas de punições àquelas que não levantassem a quantia de dinheiro estipulada.

Além de todas as dificuldades enfrentadas pelos talibês, a prática de punições no ensino também passou a ser corriqueira. Açoites e chicotadas foram aliadas ao ensino, já que no entendimento muçulmano: “o saber corânico, que é muito precioso, não pode ser adquirido com facilidade”. Os castigos também começaram a ser aplicados aos que tentavam fugir, para que servisse de lição aos outros.

Em pouco tempo a prática de mendicância-religiosa tornou-se uma grande indústria em vários países do oeste africano.

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